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5 passos para transformar uma briga com empatia


5 passos para transformar uma briga com empatia

Lá vem aquela pessoa reclamar de novo. Você cansou. Não aguenta mais queixas nem caras irônicas ou aquele silêncio que não dá conta de esconder os incômodos debaixo do tapete. Você até topa conversar sobre o que está acontecendo… mas também anda sem paciência, sem energia. Porque você já imagina como vai ser o papo: difícil, nervos atiçados, todo mundo de testa franzida e fazendo “não” com a cabeça. E você já viu esse filme: no lugar de conversa, chance grande de acontecer uma briga. Conhece isso? Empatia

Eu também.

A má notícia: ignorar isso não faz o problema sumir

A boa notícia: dá para ter esperança de mudar essa história, se você quiser

Um dos caminhos é estar pronto para ouvir com novos ouvidos. Ouvidos empáticos.

Se alguém tem algo a dizer que te incomoda, você tem a seu favor o poder da empatia.
Vou te dizer, isso é poderoso.

Na Comunicação Não Violenta, empatia é mais específico do que simplesmente “se colocar no lugar dos outros”, na definição mais genérica. Na CNV, empatia quer dizer buscar compreender o outro, seja em um nível intelectual ou emocional, procurando que necessidades humanas universais que estão presentes. Ou seja, o que ele precisa meeeesmo, de verdade, para ficar bem. Coisas como segurança, liberdade, espaço, consideração, cumplicidade, valorização, afeto, parceria, proteção, entre muitas outras.

Nesse vídeo abaixo, a gente mostra um exemplo clássico de uma briga cotidiana e como alguém consegue lidar com isso usando a empatia. Mais abaixo, eu vou detalhar esses 5 passos para você.

Detalhe: o vídeo também traz um convite para um Carnaval com CNV 😉

 

mais empatia, menos briga

 

A empatia pode começar antes mesmo do outro falar qualquer coisa.

Começa com você, no passo #1. Olha só:

Passo a passo da empatia

#01
Observar o outro e perguntar com interesse real

O primeiro passo é começar a desenvolver um olhar atento para o outro. Observar como ele está e se está oferecendo sinais – com expressões, gestos, indiretas ou falas bem explícitas – de que alguma coisa não vai bem para ele. A dica é não ignorar esses sinais, ao contrário, mostrar interesse e investigar. Ignorar é como deixar pra lá uma dor insistente: uma hora ela cresce tanto que você pode precisar parar tudo para cuidar disso. A casa pode cair. Perguntar com interesse observando os sintomas pode ser muito bom para saúde da relação. E como perguntar com interesse? O que falar? Eu prefiro o mais simples possível: “está tudo bem?”, “como você está?”, “o que está sentindo?”. O que importa não é a frase, é ter a intenção verdadeira de saber como está o outro.

 

#02
Acolher a emoção do outro, em vez de contra-atacar

Esse passo exige bastante prática de auto-observação, autocompaixão e menos reatividade, temas de que a gente vai explorar bem mais em próximos posts. Por enquanto, uma ideia simples que pode ajudar muito:  você pode experimentar ouvir além das palavras, escutando uma revelação do outro, em vez de xingamentos ou críticas. Achou nível faixa preta? Experimentar é de graça e pode ser intrigante e surpreendente. Pense com você: “O que será que o outro está quer? O que ele precisa? O que será que está revelando ao dizer isso para mim?”

#03 
Fazer chutes empáticos, procurando o que o outro precisa

Não. Você não vai ter 100% de certeza de que sabe o que o outro precisa sem checar com essa pessoa. Então, cheque suas hipóteses. Você pode perguntar para o outro se ele gostaria daquelas qualidades naquela situação. No exemplo do vídeo, o Sven chutou algumas necessidades, como organização ou ordem, depois que ouviu “você faz bagunça e deixa o banheiro uma sujeira!”. À medida que um faz chutes, o outro vai naturalmente checando se aquilo faz sentido dentro de si. E quando não faz, o outro vai percebendo que outras necessidades estão presentes, mais vivas. Surpresa: não era organização a minha necessidade naquele exemplo. Apoio e igualdade faziam mais sentido.

*** Mas cuidado *** A ideia do chute empático não é acertar no alvo, não é ser o goleador da empatia: fazer o chute correto não é o mais importante. É procurar compreender, é estar junto com o outro nessa busca. A pergunta ajuda nessa investigação. Quando alguém me faz perguntas empáticas, a sensação é que essa pessoa se importa em chegar comigo no que é importante para mim. Porque é bem possível que a própria pessoa desconheça as necessidades que estão vivas. É com conversa empática que ela se dá conta.


#04

Estar junto até o outro encontrar o que realmente precisa

O outro é que vai saber se encontrou a sua necessidade mais viva, que tem a ver com a fala do momento. Quando encontra, em geral acontece um certo alívio, um relaxamento no corpo e emoções fortes como a raiva tendem a baixar. Não é uma regra, mas é uma tendência. Interessante observar que enxergar a sua necessidade com apoio de alguém que está lá, prestando atenção de verdade, é como passar a ser visto, ser ouvido. E é bem possível essa seja um dos mais fortes objetivos de quem se expressa tomado pela raiva e com volume de voz acima do normal. Ser visto pelo outro, ser ouvido e ser considerado também. Receber tempo e espaço para essa busca já atende a parte do que está sendo solicitado, muitas vezes.

#05

Abrir espaço para conectar e, só então, criar soluções juntos

Quando as necessidades estão sendo vistas (de todos na conversa), está criado um terreno novo. Como é isso? É um espaço com mais confiança, porque você começa a acreditar que o outro te considera, se importa e que não é preciso se exaltar para ser ouvido. E um espaço para vocês dois pensarem em novas possibilidades juntos, de um jeito que os dois possam estar contemplados nas suas necessidades.

Que tal?