Falar de si de forma autêntica (e não calar ou apenas julgar) e enxergar o outro com empatia nos ajuda a construir pontes com o outro, especialmente na hora do desentendimento. Quer saber como fazer? Dá uma olhada neste texto e vem com a gente na Jornada de CNV

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Como conversar sobre o que incomoda?


Quando alguém diz ou faz algo que te incomoda, te irrita ou mesmo que você não gosta ou não concorda, como você costuma reagir? A forma como a maioria de nós aprendeu a se comunicar aponta para suas reações possíveis. Uma delas, você escolhe não falar sobre isso diretamente com a pessoa, engole seco o incômodo para não criar um clima desagradável – e, às vezes, até desabafa com outras pessoas sobre o episódio. A outra possibilidade comum é você falar o que você pensa para a pessoa, muitas vezes colocando sua irritação para fora em forma de pensamentos críticos.

Na primeira, você engole sapo. Na segunda, cospe fogo. Você reconhece em si alguma dessas duas tendências?

O problema é que estas duas maneiras de agir não costumam gerar resultados muito sustentáveis. Ao contrário, costumam ir gerando mágoas, distanciamento e desconexão entre as pessoas. Talvez por isso tanta gente tenha pavor de conflitos: porque elas sabem que as formas que conhecem para lidar com os desentendimentos são tão ineficientes para cuidar da relação e do problema, que é melhor desejar que o conflito não exista ou ignorá-lo. 

Só que onde tem gente, tem algum conflito, alguma hora. Ainda que pequeno. Imagine: você quer falar para um amigo que não gostou quando ele atrasou duas horas para chegar na sua casa. Calar e fazer umas expressões de desânimo provavelmente não vai transmitir a mensagem. Tampouco dizer algo como: “Deixar alguém esperando tudo isso não se faz, é uma falta de respeito!”. Se você queria sensibilizar o outro para o seu incômodo ou até estimular nele alguma mudança, essas duas soluções têm poucas chances de funcionar. Na primeira, o outro é poupado de saber da importância que você dá para isso. Na segunda, em vez de te ouvir, o outro tende a se defender.

Então qual é a solução?

Você pode começar a praticar diálogos verdadeiramente corajosos diante de pequenos ou grandes conflitos. Conversar com coragem. Não esta coragem de cuspir críticas. Uma coragem ainda maior, como sugere a palavra – agir com o coração. Estamos falando da coragem de falar de si, em vez de apontar o dedo para o outro. De se mostrar verdadeiro, mostrando o que você sente e também o que te leva a sentir isso, o que você precisava naquela situação. Naquele exemplo, eu poderia dizer algo como: “Quando você chegou duas horas depois do que marcamos, fiquei bem desanimada porque cuidado com horário é importante para mim, eu recebo pontualidade como sinal de valorização daquele momento juntos. Como é isso para você?”.

Diferente, não?

Mais do que uma técnica de fala, praticar diálogos corajosos são uma jornada de construção de uma mudança profunda de olhar para o que acontece, tanto para si mesmo, quanto para o outro. Com esta mudança, além de tomar consciência do que você sente e precisa, você também enxerga isso no outro. Em vez de ver só o comportamento que não gosta e julgá-lo como “errado, inadequado ou absurdo”, você começa a compreender a pessoa que faz aquilo, desenvolvendo empatia. Começa a ver o que ela sente e por que ela faz o que faz – mesmo que você continue não concordando! 

Falar de si de forma autêntica (e não calar ou apenas julgar) e enxergar o outro com empatia nos ajuda a construir pontes com o outro, especialmente na hora do desentendimento. Para isso, o convite é trocar a lente do erro, da culpa, da vergonha, para a lente do “somos todos humanos e imperfeitos”. E isso também vai criando um clima de confiança entre as pessoas, porque o outro percebe que não está sendo acusado, que não precisa se defender na conversa com você e você percebe que pode falar a sua verdade de um jeito que o outro consegue ouvir.

Aos poucos, você vai vendo que conflitos podem ser uma ótima oportunidade para construir relações mais sólidas, em que a verdade cabe e que a gente pode construir juntos soluções que funcionem para todos.

E se você quiser mergulhar nesta jornada de transformação, você pode vir com a gente no curso de Comunicação Não Violenta (CNV), em Nazaré Uniluz.

Mais informações pelo: bit.ly/CNVjornada